Síntese da 220a Reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), realizada nos dias 05 e 06 de fevereiro de 2019.
Análise da Economia Brasileira e Internacional
A economia brasileira segue operando com alto nível de ociosidade dos fatores de produção, refletido nos baixos índices de utilização da capacidade da indústria e, principalmente, na taxa de desemprego.
O cenário externo permanece desafiador, mas com alguma redução e alteração do perfil de riscos. Diante do arrefecimento da atividade em algumas economias relevantes, os riscos de desaceleração da economia global se intensificaram. As incertezas sobre a continuidade da expansão do comércio internacional e o Brexit podem contribuir para reduzir o crescimento global.
Em relação aos EUA, os membros do Copom entendem que os riscos associados à normalização da política monetária se reduziram, mas há dois cenários prováveis: desaceleração econômica relevante ou continuidade do vigor exibido pela economia norte-americana. Esses cenários vão influenciar as próximas deliberações do Federal Reserve.
Nesse contexto, a economia brasileira apresenta capacidade de absorver revés no cenário internacional, devido à situação robusta de seu balanço de pagamentos e ao ambiente com expectativas de inflação ancoradas e perspectiva de recuperação econômica.
Inflação, Taxa Selic e Câmbio
As expectativas de inflação para 2019, 2020 e 2021 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 3,9%, 4,0% e 3,75%, respectivamente.
Considerando a taxa de juros e de câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções do Copom situam-se em torno de 3,9% para 2019 e 3,8% para 2020. Esse cenário supõe, entre outras hipóteses, trajetória da taxa Selic que encerra 2019 em 6,50% a.a. e se eleva a 8,00% a.a. em 2020. Também supõe trajetória de taxa de câmbio que termina 2019 em R$3,70/US$ (reais por dólar) e 2020 em R$3,75/US$. Consequentemente, as projeções para a inflação de preços administrados são de 5,1% para 2019 e 4,7% para 2020.
No cenário com taxa Selic constante em 6,50% a.a. e taxa de câmbio constante a R$3,70/US$, as projeções para a inflação do Copom são 3,9% para 2019 e 4,0% para 2020. As projeções para a inflação de preços administrados são de 5,1% para 2019 e 4,5% para 2020.
Considerações Finais
Todos os membros do Comitê voltaram a enfatizar que a aprovação e implementação das reformas, notadamente as de natureza fiscal, e de ajustes na economia brasileira. As reformas são fundamentais para a sustentabilidade do ambiente com inflação baixa e estável, para o funcionamento pleno da política monetária e redução da taxa de juros estrutural da economia, com amplos benefícios para a sociedade.
O Comitê ressaltou ainda que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes.
Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela manutenção da taxa básica de juros em 6,50% a.a.
Essa decisão reflete o cenário básico e balanço de riscos para a inflação prospectiva. É compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante de condução da política monetária, que inclui o ano-calendário de 2019 e, com peso menor e gradualmente crescente, de 2020.
Fonte: Copom / Banco Central do Brasil, Ata da 220a. Reunião. Acesso em 20/03/2019.