Artigo discute as escolhas profissionais durante as crises, diante das incertezas e riscos existentes. Uma das questões mais difíceis que um profissional enfrenta durante sua carreira é fazer boas escolhas que o levem a um nível mais elevado de realização e satisfação.
É muito comum ouvir os questionamentos:
– Devo investir em um MBA ou fazer um Mestrado?
– Adquiro experiência internacional ou buscarei um novo mercado regional?
– Abrirei um negócio próprio ou estudarei para passar em um concurso público?
– Exercerei a profissão com salários menores até ganhar mais experiência?
Há várias escolhas colocadas diante dos profissionais, não é fácil selecionar aquela com maior probabilidade de êxito. E, muitas vezes, mesmo após tomada a decisão, surgem dúvidas e incertezas que pairam como nuvens cinzentas sobre o novo projeto. E, na situação extrema, haverá fortes chuvas e trovoadas após as primeiras dificuldades…
A rapidez das mudanças tecnológicas do mundo contemporâneo gera a percepção de que as escolhas precisam ser cada vez mais tempestivas. Mercados conectados pela internet e meios de produção se transformam, sendo necessário adquirir novas habilidades. Os profissionais devem tomar decisões rápidas para alavancarem suas carreiras, enfrentando uma concorrência cada vez mais acirrada.
Essa pressão por mudanças pode ser comparada à estória do tigre que ataca um grupo de caçadores. Não basta os sobreviventes saberem correr na selva, precisam ser mais rápidos do que os colegas da expedição para não serem devorados pelo feroz animal.
Certo dia, aflito por incertezas sobre a carreira profissional, imaginei um modelo para explicá-las. A reflexão que ora compartilho surgiu precisamente enquanto estava no saguão de elevadores de um prédio comercial com mais de 20 pavimentos.
O elevador moderno foi inventando pelo norte-americano Elisha Otis em 1852, transporte vertical rápido e seguro, viabilizando a construção de arranha-céus. Contudo, o tempo de deslocamento depende da quantidade de elevadores em cada edifício, lotação excessiva ou do número de paradas em pavimentos intermediários. Sistemas de elevadores mais avançados gerenciam esse tempo de atendimento em chamadas múltiplas.
Nos prédios comerciais, o transporte por elevadores poderá ficar lento em certos horários. Há estratégias para amenizar esse desconforto. É possível, por exemplo, esperar a fila reduzir e entrar no elevador quando estiver menos lotado. Por simples observação, mãe de todas as invenções, usuários podem preferir os horários com menor fluxo de pessoas. Os mais dispostos podem subir as escadas do edifício ou fazer deslocamentos mais curtos até os pavimentos vizinhos.
O deslocamento até os pavimentos mais altos demandará maior tempo de espera, tanto pela distância vertical a ser percorrida quanto pelo maior número de paradas intermediárias. O estudo das probabilidades permite inferir o tempo médio de viagem em função do horário, dia da semana, população fixa e flutuante do edifício. Mas o resultado da escolha do elevador é aleatório, não é possível antecipar o que acontecerá em cada viagem.
A carreira profissional é semelhante a um sistema de elevadores em movimento, no qual cada pavimento pode ser entendido como um nível a ser alcançado. Certamente, a melhor escolha será aquela que propicia a ascensão mais rápida ou confortável.
A analogia do elevador pode ser aplicada às crises econômicas, paradas que retardam a viagem dos profissionais rumo aos níveis mais elevados. Porém, tratadas como oportunidades de melhoria, as crises induzem ao desenvolvimento de novos mercados e estimulam o investimento na qualificação profissional para aquisição de novas habilidades.
Na carreira profissional, o problema da escolha precisa ser analisado com ênfase a maior satisfação pessoal e delimitação dos projetos relevantes. Somente assim será possível obter contentamento nas mudanças e motivação para não desistir frente às dificuldades.
É difícil prever qual escolha profissional será melhor, mas é preciso ter persistência para concretizar os projetos. Quando começar um MBA ou mestrado, tenha disposição para aprender, mesmo quando duvidar se vale a pena. Para se tornar um servidor público, estabeleça uma disciplina para estudar e ser aprovado em um concurso. Deseja ser um empreendedor de sucesso, aperfeiçoe seu modelo de gestão dos negócios.
Invista em projetos mais prazerosos e alinhados a sua vocação. Não faça escolhas por indicação do analista do mercado, do comentarista com milhares de seguidores, ou do(a) melhor amigo(a) que conquistou sucesso em uma área específica. Escute e assimile os bons conselhos, mas valorize sua própria opinião para não ser induzido a erros de avaliação.
Um erro de avaliação comum dos profissionais é se comparar a outros que alcançaram maior êxito em suas carreiras. Essas comparações, além de superficiais e injustas, nivelam por baixo seres humanos com diferentes histórias de vida, inteligência e talentos. Por isso, também é preciso cautela ao aplicar as receitas fantásticas dos gurus do sucesso. Buscar orientação de consultores de carreira é saudável, tomando o cuidado de verificar suas credenciais e experiência.
A evolução do profissional requer a disciplina de reclamar menos e fazer mais. Muita gente culpa a crise e os governos corruptos por seus percalços, mas poucos investem para se tornarem profissionais diferenciados ou empreendedores melhores. Esperam por milagres econômicos ou acreditam que um novo presidente terá o condão de mudar o Brasil e fazer a economia crescer a 5% ao ano.
No entanto, políticos bons ou ruins são apenas o reflexo da sociedade que os elegeu. Pessoas com boa educação e consciência cidadã devem exigir e lutar pelas mudanças que o país tanto necessita. Quando criticamos os maus políticos, em essência, julgamos a nós mesmos pela omissão na fiscalização dos atos praticados em seus mandatos.
Mesmo que o Brasil estivesse crescendo a 5% ao ano, poucos empreendedores estariam em condições de aproveitar essa oportunidade, nem todos se preparam adequadamente. Basta constatar que o governo e muitas empresas brasileiras cortam verbas de educação e pesquisa científica, justamente quando mais precisam desses investimentos para vencer as crises.
Não por acaso, as empresas e os profissionais que mais crescem durante as crises são aqueles que investiram para expandir seus conhecimentos, inovaram seus negócios e se adaptaram melhor ao novo mercado. Nas crises, é comum constatar que alguns choram enquanto outros vendem lenços. É preciso ter força de vontade para persistir nos objetivos enquanto a maioria desistiu ou se conformou.
O Brasil é um país continental com inúmeros problemas a serem resolvidos. As oportunidades de crescimento estão ao alcance de muitos e podem ser aproveitadas com inteligência, basta ter disposição para trabalhar e desenvolver soluções.
Toda crise proporciona o sentido de urgência na seleção de projetos inovadores para vencer os desafios, desperta o instinto de sobrevivência. Aproveite a inspiração e comece a agir como o profissional de sucesso que deseja ser nos próximos anos, melhorando suas habilidades, buscando mais conhecimento e procurando ser otimista.
Fonte: Editorial GEDAF, elaborado por Rone Antônio de Azevedo, direitos autorais reservados.